MOÏSE KABAGAMBE

Na vanguarda da luta pelo resgate dos princípios batistas, o M.B.P. se solidariza com a família de Moïse e apóia a nota emitida pela Convenção Batista Carioca.

Rio de Janeiro, 03 de fevereiro de 2022.

AO
ILMO SR. GOVERNADOR CLÁUDIO CASTRO
ILMO SR. PREFEITO EDUARDO PAES

Ref.: Assassinato de Moïse Mugenyi Kabagambe;

“Matam a viúva e o estrangeiro e tiram a vida ao órfão. E dizem: O Senhor não vê; o Deus de Jacó não percebe. Exalta-te, ó juiz da terra! Dá aos soberbos o que merecem” (Salmo 94:6, 7, 2)“Assim diz o Senhor: Exercei o juízo e a justiça e livrai o espoliado da mão do opressor. Não façais nenhum mal ou violência ao estrangeiro, nem ao órfão, nem à viúva; não derrameis sangue inocente neste lugar.” (Jeremias 22.3)

Prezados Senhores,

Na qualidade de Presidente da Convenção Batista Carioca (CBC), agremiação que reúne 527 igrejas batistas espalhadas pela Cidade do Rio de Janeiro, contando com cerca de 140.000 membros, vimos manifestar nosso repúdio à barbárie cometida contra Moïse Mugenyi Kabagambe, congolês residente no Brasil, brutalmente assassinado em 24 de janeiro último, em um quiosque da praia da Barra da Tijuca, Rio de Janeiro.

A Bíblia, senhores, como Palavra de Deus, nos convoca a tratar bem o estrangeiro, assim como a civilidade preconiza o acolhimento de refugiados; pessoas que fogem da morte iminente em seus países para viverem no nosso. Não é, portanto, razoável, que tais refugiados encontrem a morte na sua feição mais horrenda justamente na Cidade Maravilhosa. O que soubemos e vimos é de indignar. Agravado ainda mais ao tomarmos ciência de que o estrangeiro, africano e negro Moïse fazia valer um direito seu de receber pelo trabalho realizado. Ao assassinarem a quem deviam, seus algozes revivem os piores momentos da escravidão nesse país.

Sendo assim, requeremos das autoridades constituídas uma apuração rigorosa e uma punição exemplar para os assassinos deste jovem. De igual modo, que a licença desse quiosque, que abriga com naturalidade esta violência desmedida, seja revista pelo bem da sociedade civil, da qual, nós religiosos, igualmente fazemos parte.

Outrossim, que a família enlutada seja acolhida e que esta tragédia, ao jogar luz sobre as condições insuportáveis de vida de refugiados em nosso Estado, especialmente os de raiz africana, seja um ponto de inflexão para a mudança e promoção de políticas públicas que visem a integração, preservação e promoção social de tais populações.

Por fim, lembramos às autoridades que o sangue derramado injustamente (Gênesis 4), clama pelo juízo divino. Nossa oração é para que não seja necessário que ele chegue até nós, uma vez exercida a Justiça preconizada em nossas leis.

Atenciosamente,

Pr. Sérgio Ricardo Gonçalves Dusilek
Presidente da CBC

-C/C/P: Secretário de Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro
-C/C/P: Comandante da PMERJ

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